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Esqueça a idade do seu consumidor

Gabriel Rossi- e diretor-fundador da Gabriel Rossi Consultoria e palestrante profissional em marketing.

Uma marca é um atalho na mente e no coração do público de interesse. O mundo está com excesso de informação e as pessoas sofrem com a falta de tempo. Marcas têm o papel de facilitar escolhas e encantar. Não é tarefa fácil: o comportamento do consumidor está sendo redefinido. Ele desenvolve filtros e intimidades com produtos e serviços, que exigem movimentos rápidos, evolução e reinvenção constantes.

Sobrevivência agora significa entender que o mundo está repleto de marcas e, cada vez mais, estas são menos respeitadas, confiadas e despertam menos atributos e diferenciais. Há, de fato, uma supervalorização das marcas em relação ao que realmente o consumidor sente em relação a elas. Esta megalomania irracional está ocorrendo exatamente ao mesmo tempo em que a economia colaborativa ganha musculatura. O comportamento do público está mudando profundamente, acelerando a decomposição das percepções de marcas. As empresas ainda não entendem realmente o que está realmente acontecendo: embora nós saibamos que as marcas são ativos importantes, nós ainda precisamos compreender plenamente o significado delas.

O consumo passa por transformações disruptivas: o sentido de liberdade mudou muito. Ter carro, por exemplo, não é mais aspiracional. Liberdade está agora na experiência e não no que é físico. As empresas que fabricam carros, em breve, se tornarão fornecedores de mobilidade.
O setor de luxo é também um ótimo exemplo da dicotomia que atravessamos. Diferente do passado, luxo nos dias atuais está presente na simplicidade, precisão, racionalidade e experiências autênticas. Ter tempo, ser discreto, alimentar o intelecto e a busca pelo custo e benefício aliados ao silêncio. Ostentar começa a ser cafona. O novo luxo busca riqueza inteligente, aquela com significado. Esse consumir sai do “egossistema” e pensa no ecossistema.

Em suma: consumidores atuais optam por permanência mas mantêm expectativas por futuras utilidades que chegam como forma de criatividade, inovação e confiança e liderança. Eles querem ser surpreendidos e estão escolhendo uma lista cada vez menor de marcas para depositarem seus dividendos e confiança.

Selecionei quatro alicerces fundamentais para quem busca fazer branding de vanguarda no século 21.
Essência

Posicionamento é negociável. Essência não. A Essência da marca não é missão, nem valores ou muito menos visão. De uma vez por todas, é a razão pela qual tudo começou. Raison d’être.

Fala-se tanto em inovação que o tema anda banalizado. Mas uma coisa eu tenho certeza: a verdadeira inovação só acontece quando a empresa redescobre sua razão de ser.
A Tesla é um ótimo case porque a sua razão de ser é bem clara: enfrentar o problema de mobilidade urbana do mundo. Isso permite que a empresa não se resuma a uma montadora de carros. Aliás, Elon Musk nunca viu a sua iniciativa dessa forma. Assim, fica livre para participar de novos mercados sem comprometer deu DNA. A Tesla pretende, por exemplo, colonizar Marte! O futuro ninguém pode dizer mas é um objetivo inspirador, não é?

Cultura
Cultura é muito mais importante que estratégia no século 21. Peter Drucker, o fundador do marketing moderno, uma vez escreveu que “cultura digere estratégia no café da manhã”. Mais correto impossível. O maior desafio para marcas e empresas é a mudança de cultura que permitirá para estas companhias reconhecerem que a inovação requer um processo que permeia todos os departamentos, reinventando o processo de escuta, aprendendo e gerando mudanças.

Ademais, em dez anos à frente da Gabriel Rossi Consultoria e Palestrante, percebi algo: não importa se sua ideia é transformadora, lucrativa e de vanguarda. Se ela esbarrar em algo indivisível e inflexível chamado “cultura empresarial”, tempos difíceis você enfrentará.
Muitas grandes empresas engolem startups promissoras quando as adquirem. Simplesmente porque seus modus operandi, seus rituais e regras não são compatíveis com certas visões de mercado e do mundo. Não há chance para ar fresco!

O valor do ceticismo
O ceticismo é um alicerce desmerecido no mercado. Ele é frequentemente rejeitado e mal falado por profissionais de marketing, empreendedores e afins. Principalmente por aqueles que falam a mesma coisa há 50 anos ou os pentecostais de palco que são armados de retóricas que agem como fluoxetina com prazo de validade.
Eu acho o ceticismo importante, sine qua non. A realidade não é linear. E, muitas vezes, grandes e excêntricas visões do futuro levam projetos à falência.

Seja sim ousado e tenha estamina para a transformação e disrupção mas no momento certo! Empresas/marcas, muitas vezes, devem considerar mudanças pragmáticas de correção de rota ao invés de perseguirem grandes utopias de transformação do negócio, mercado ou mundo, pois a realidade é muito complexa para entendê-la totalmente.

Esqueça a idade e a classe social do seu consumidorm. Não dá mais para segmentar as pessoas por meio das gerações a que elas pertencem. A tecnologia e as transformações societais minaram esse processo. As mudanças não são mais geracionais: ocorrem vorazmente e com menor intervalo de tempo. Vivemos uma época marcada pelo fim dos estereótipos e da construção da identidade.

A questão referente a classe social também é alterada e pode ser observada pelos padrões de consumo, pois não é algo determinado por diferença de classe, mas sim por afinidade e pessoalidades. A influência não vem mais apenas do topo da pirâmide, ela flui de todos os lados. Essa mistura de influências é o verdadeiro aspiracional brasileiro (consumo transversal).
A segmentação que se faz agora é por grupos que dividem hábitos e estilo de vida semelhantes.

 

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Os capítulos da vida

Larissa Preuss – Estudante.

Outro capítulo da história mais incrível, que é a vida, apenas começou e você é o responsável por escrever o fim deste. Tudo é passageiro, as novas 365 páginas serão lançadas para serem novamente escritas. A caneta e o papel estão em suas mãos; basta você escolher se a escrita vai ser em torno do bem ou não. Que este papel não seja apagável nem descartável, mas sim memorável e que a tinta da caneta seja ainda mais forte, para que assim, os acontecimentos deste 2018 fiquem sempre marcados e presentes em nossa memória.

O tempo passa depressa, o cronômetro da vida está em constante velocidade. Precisamos aproveitar cada minuto de nossos dias agradecendo por acordar e por dormir tranquilos. É também o momento de refletirmos sobre os rastros deixados. Foram bons? Ruins? Ótimo! Precisamos agradecer por tudo, até pelos ruins, pois foram estes que fizeram com que a nossa caminhada valesse a pena.

Precisamos guardar lembranças boas em nossos corações, para que o capítulo 2018 comece ainda melhor. Neste, mais uma vez temos a oportunidade de sonhar, realizar, chorar, sorrir, agradecer. Lembrando sempre que cada linha escrita neste encantador livro é consequência de nossos atos. Somos nós que escolhemos o fim dele.

Que todos nós possamos ter orgulho de nossa história, sem nela apagar nada e que em nossa memória esteja sempre vivo cada momento vivido. Todo ano é um ano especial, ainda mais quando cada e um e cada uma de nós faz o bem. Que tenhamos um maravilhoso ano, recheado de conquistas e realizações.

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Ano 2018

Dom Aloísio A. Dilli – Bispo de Santa Cruz do Sul.

Caros diocesanos, Feliz 2018, com muita Paz e Bem! Em todos nós existe o desejo fundamental de viver em paz, em harmonia. Quando a paz está ausente, facilmente nos tornamos agressivos, mais difíceis de conviver e a depressão pode rondar nosso ser e agir. Onde encontrar os meios desta paz tão desejada pelas pessoas e pelos povos? Como construir este estado de espírito e esta relação pacífica consigo mesmo, com os outros, com o mundo criado e com o próprio Deus?

Os antigos romanos diziam equivocadamente: “Si vis pacem para bellum” (= Se queres a paz prepara a guerra). É lamentável que o sentido desta frase ainda não foi revertido, pois sempre de novo surgem tiranos que, para justificar um determinado status de hegemonia, preparam-se constantemente para a guerra e não hesitam em desencadeá-la. Inúmeras vidas humanas são sacrificadas, assim como bens fundamentais e necessários à vida digna, em vista do poder, da posse e do bem-estar privilegiado. Por analogia, mesmo em menores proporções, isto pode acontecer até em nossas relações de convivência.

Nós cristãos celebramos o Dia Mundial da Paz no primeiro do ano, ainda dentro do clima do santo Natal. É claro, esta Paz, tão desejada e necessária, não vai ser trazida pelo Papai Noel, por mais querido que seja o Bom Velhinho. Nossa Paz cristã se inspirará e terá sua origem no Príncipe da Paz (Is 9, 5), anunciado como o próprio Filho de Deus, Jesus Cristo, o Verbo encarnado, que veio habitar entre nós. Na noite do nascimento de Jesus os anjos cantaram: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e na terra, paz aos homens por Ele amados!” (Lc 2, 14). É aquele que mais tarde vai dizer: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é à maneira do mundo que eu a dou” (Jo 14, 27). Na verdade, a paz que tanto desejamos só pode vir daquele que é a fonte de nossa vida, pois Ele é a Paz. Dizia S. Agostinho: “Nosso coração estará inquieto, até que descanse em Deus”.

Então, caros irmãos e irmãs, a partir do espírito do Natal, que ainda nos envolve, nós cristãos vamos mudar a frase dos antigos guerreiros romanos e que durante tantos séculos fracassou e frustrou as expectativas humanas, em vista de um mundo mais fraterno, justo e solidário. A partir de Jesus Cristo nós adotaremos o princípio: “Si vis pacem para pacem”, ou seja, “Se queres a paz, prepara a paz” (Paulo VI). Nós somos convidados a sermos construtores da paz, instrumentos da paz. Não é por nada que rezamos: “Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz”. Isto começa dentro de nós mesmos, em nossas famílias, em nossas comunidades e na própria sociedade. Então poderemos dizer: “Nós somos da Paz”! Certamente teremos um mundo, uma sociedade mais pacífica, à medida que construirmos a fraternidade: uma sociedade mais igualitária, sem estas abismais diferenças entre as classes sociais. Como dizia muito bem Bento XVI: “Combater a pobreza é construir a Paz”. Isso faz lembrar o quanto é importante sermos uma Igreja samaritana.

Neste início de ano desejamos muita paz a todos vós, com a seguinte bênção bíblica, adotada por São Francisco de Assis, o homem da fraternidade e da paz universal: “O Senhor vos abençoe e vos guarde! O Senhor faça brilhar sobre vós a sua face e se compadeça de vós! O Senhor volte para vós o seu rosto e vos dê a sua paz”! (Num 6, 22-27). Desejamos a todos: Feliz e Abençoado ANO NOVO, com muita PAZ e BEM!

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Amemos com obras – II

Papa Francisco

4. Não esqueçamos que, para os discípulos de Cristo, a pobreza é, antes de tudo, uma vocação a seguir Jesus pobre. É um caminhar atrás d’Ele e com Ele: um caminho que conduz à bem-aventurança do Reino dos céus (cf. Mt 5, 3; Lc 6, 20). Pobreza significa um coração humilde, que sabe acolher a sua condição de criatura limitada e pecadora, vencendo a tentação de omnipotência que cria em nós a ilusão de ser imortal. A pobreza é uma atitude do coração que impede de conceber como objetivo de vida e condição para a felicidade o dinheiro, a carreira e o luxo.

Mais, é a pobreza que cria as condições para assumir livremente as responsabilidades pessoais e sociais, não obstante as próprias limitações, confiando na proximidade de Deus e vivendo apoiados pela sua graça. Assim entendida, a pobreza é o metro que permite avaliar o uso correto dos bens materiais e também viver de modo não egoísta nem possessivo os laços e os afetos (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 2545).

Assumamos, pois, o exemplo de São Francisco, testemunha da pobreza genuína. Ele, precisamente por ter os olhos fixos em Cristo, soube reconhecê-Lo e servi-Lo nos pobres. Por conseguinte, se desejamos dar o nosso contributo eficaz para a mudança da história, gerando verdadeiro desenvolvimento, é necessário escutar o grito dos pobres e comprometermo-nos a erguê-los do seu estado de marginalização. Ao mesmo tempo recordo, aos pobres que vivem nas nossas cidades e nas nossas comunidades, para não perderem o sentido da pobreza evangélica que trazem impresso na sua vida.

5. Sabemos a grande dificuldade que há, no mundo contemporâneo, para se poder identificar claramente a pobreza. E todavia esta interpela-nos todos os dias com os seus inúmeros rostos vincados pelo sofrimento, a marginalização, a opressão, a violência, as torturas e a prisão, pela guerra, a privação da liberdade e da dignidade, pela ignorância e o analfabetismo, pela emergência sanitária e a falta de trabalho, pelo tráfico de pessoas e a escravidão, pelo exílio e a miséria, pela migração forçada. A pobreza tem o rosto de mulheres, homens e crianças explorados para vis interesses, espezinhados pelas lógicas perver sas do poder e do dinheiro. Como é impiedoso e nunca completo o elenco que se é constrangido a elaborar à vista da pobreza, fruto da injustiça social, da miséria moral, da avidez de poucos e da indiferença generalizada!

Infelizmente, nos nossos dias, enquanto sobressai cada vez mais a riqueza descarada que se acumula nas mãos de poucos privilegiados, frequentemente acompanhada pela ilegalidade e a exploração ofensiva da dignidade humana, causa escândalo a extensão da pobreza a grandes setores da sociedade no mundo inteiro. Perante este cenário, não se pode permanecer inerte e, menos ainda, resignado. À pobreza que inibe o espírito de iniciativa de tantos jovens, impedindo-os de encontrar um trabalho, à pobreza que anestesia o sentido de responsabilidade, induzindo a preferir a abdicação e a busca de favoritismos, à pobreza que envenena os poços da participação e restringe os espaços do profissionalismo, humilhando assim o mérito de quem trabalha e produz: a tudo isso é preciso responder com uma nova visão da vida e da sociedade.

Todos estes pobres – como gostava de dizer o Beato Paulo VI – pertencem à Igreja por «direito evangélico» (Discurso de abertura na II Sessão do Concílio Ecuménico Vaticano II, 29/IX/1963) e obrigam à opção fundamental por eles. Por isso, benditas as mãos que se abrem para acolher os pobres e socorrê-los: são mãos que levam esperança.
Benditas as mãos que superam toda a barreira de cultura, religião e nacionalidade, derramando óleo de consolação nas chagas da humanidade. Benditas as mãos que se abrem sem pedir nada em troca, sem «se» nem «mas», nem «talvez»: são mãos que fazem descer sobre os irmãos a bênção de Deus.

6. No termo do Jubileu da Misericórdia, quis oferecer à Igreja o Dia Mundial dos Pobres, para que as comunidades cristãs se tornem, em todo o mundo, cada vez mais e melhor sinal concreto da caridade de Cristo pelos últimos e os mais carenciados. Quero que, aos outros Dias Mundiais instituídos pelos meus Antecessores e sendo já tradição na vida das nossas comunidades, se acrescente este, que completa o conjunto de tais Dias com um elemento requintadamente evangélico, isto é, a predileção de Jesus pelos pobres.

Convido a Igreja inteira e os homens e mulheres de boa vontade a fixar o olhar, neste dia, em todos aqueles que estendem as suas mãos invocando ajuda e pedindo a nossa solidariedade. São nossos irmãos e irmãs, criados e amados pelo único Pai celeste. Este Dia pretende estimular, em primeiro lugar, os crentes, para que reajam à cultura do descarte e do desperdício, assumindo a cultura do encontro. Ao mesmo tempo, o convite é dirigido a todos, independentemente da sua pertença religiosa, para que se abram à partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade, como sinal concreto de fraternidade.

Deus criou o céu e a terra para todos; foram os homens que, infelizmente, ergueram fronteiras, muros e recintos, traindo o dom originário destinado à humanidade sem qualquer exclusão.

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Amemos com obras – I

Papa Francisco

1. «Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade» (1 Jo 3, 18). Estas palavras do apóstolo João exprimem um imperativo de que nenhum cristão pode prescindir. A importância do mandamento de Jesus, transmitido pelo «discípulo amado» até aos nossos dias, aparece ainda mais acentuada ao contrapor as palavras vazias, que frequentemente se encontram na nossa boca, às obras concretas, as únicas capazes de medir verdadeiramente o que valemos. O amor não admite álibis: quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres. Aliás, é bem conhecida a forma de amar do Filho de Deus, e João recorda-a com clareza. Assenta sobre duas colunas mestras: o primeiro a amar foi Deus (cf. 1 Jo 4, 10.19); e amou dando-Se totalmente, incluindo a própria vida (cf. 1 Jo 3, 16).

Um amor assim não pode ficar sem resposta. Apesar de ser dado de maneira unilateral, isto é, sem pedir nada em troca, ele abrasa de tal forma o coração, que toda e qualquer pessoa se sente levada a retribuí-lo não obstante as suas limitações e pecados. Isto é possível, se a graça de Deus, a sua caridade misericordiosa, for acolhida no nosso coração a ponto de mover a nossa vontade e os nossos afetos para o amor ao próprio Deus e ao próximo. Deste modo a misericórdia, que brota por assim dizer do coração da Trindade, pode chegar a pôr em movimento a nossa vida e gerar compaixão e obras de misericórdia em prol dos irmãos e irmãs que se encontram em necessidade.

2. «Quando um pobre invoca o Senhor, Ele atende-o» (Sal 34/33, 7). A Igreja compreendeu, desde sempre, a importância de tal invocação. Possuímos um grande testemunho já nas primeiras páginas do Atos dos Apóstolos, quando Pedro pede para se escolher sete homens «cheios do Espírito e de sabedoria» (6, 3), que assumam o serviço de assistência aos pobres. Este é, sem dúvida, um dos primeiros sinais com que a comunidade cristã se apresentou no palco do mundo: o serviço aos mais pobres. Tudo isto foi possível, por ela ter compreendido que a vida dos discípulos de Jesus se devia exprimir numa fraternidade e numa solidariedade tais, que correspondesse ao ensinamento principal do Mestre que tinha proclamado os pobres bem-aventurados e herdeiros do Reino dos céus (cf. Mt 5, 3).

«Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos, de acordo com as necessidades de cada um» (At 2, 45). Esta frase mostra, com clareza, como estava viva nos primeiros cristãos tal preocupação. O evangelista Lucas – o autor sagrado que deu mais espaço à misericórdia do que qualquer outro – não está a fazer retórica, quando descreve a prática da partilha na primeira comunidade. Antes pelo contrário, com a sua narração, pretende falar aos fiéis de todas as gerações (e, por conseguinte, também à nossa), procurando sustentá-los no seu testemunho e incentivá-los à ação concreta a favor dos mais necessitados. E o mesmo ensinamento é dado, com igual convicção, pelo apóstolo Tiago, usando expressões fortes e incisivas na sua Carta: «Ouvi, meus amados irmãos: porventura não escolheu Deus os pobres segundo o mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que O amam? Mas vós desonrais o pobre. Porventura não são os ricos que vos oprimem e vos arrastam aos tribunais? (…) De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta» (2, 5-6.14-17).

3. Contudo, houve momentos em que os cristãos não escutaram profundamente este apelo, deixando-se contagiar pela mentalidade mundana. Mas o Espírito Santo não deixou de os chamar a manterem o olhar fixo no essencial. Com efeito, fez surgir homens e mulheres que, de vários modos, ofereceram a sua vida ao serviço dos pobres. Nestes dois mil anos, quantas páginas de história foram escritas por cristãos que, com toda a simplicidade e humildade, serviram os seus irmãos mais pobres, animados por uma generosa fantasia da caridade!

Dentre todos, destaca-se o exemplo de Francisco de Assis, que foi seguido por tantos outros homens e mulheres santos, ao longo dos séculos. Não se contentou com abraçar e dar esmola aos leprosos, mas decidiu ir a Gúbio para estar junto com eles. Ele mesmo identificou neste encontro a viragem da sua conversão: «Quando estava nos meus pecados, parecia-me deveras insuportável ver os leprosos. E o próprio Senhor levou-me para o meio deles e usei de misericórdia para com eles. E, ao afastar-me deles, aquilo que antes me parecia amargo converteu-se para mim em doçura da alma e do corpo» (Test 1-3: FF 110). Este testemunho mostra a força transformadora da caridade e o estilo de vida dos cristãos.

Não pensemos nos pobres apenas como destinatários duma boa obra de voluntariado, que se pratica uma vez por semana, ou, menos ainda, de gestos improvisados de boa vontade para pôr a consciência em paz. Estas experiências, embora válidas e úteis a fim de sensibilizar para as necessidades de tantos irmãos e para as injustiças que frequentemente são a sua causa, deveriam abrir a um verdadeiro encontro com os pobres e dar lugar a uma partilha que se torne estilo de vida. Na verdade, a oração, o caminho do discipulado e a conversão encontram, na caridade que se torna partilha, a prova da sua autenticidade evangélica. E deste modo de viver derivam alegria e serenidade de espírito, porque se toca palpavelmente a carne de Cristo.

Se realmente queremos encontrar Cristo, é preciso que toquemos o seu corpo no corpo chagado dos pobres, como resposta à comunhão sacramental recebida na Eucaristia. O Corpo de Cristo, repartido na sagrada liturgia, deixa-se encontrar pela caridade partilhada no rosto e na pessoa dos irmãos e irmãs mais frágeis. Continuam a ressoar de grande atualidade estas palavras do santo bispo Crisóstomo: «Queres honrar o corpo de Cristo? Não permitas que seja desprezado nos seus membros, isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem O honres aqui no tempo com vestes de seda, enquanto lá fora O abandonas ao frio e à nudez» (Hom. in Matthaeum, 50, 3: PG 58).
Portanto somos chamados a estender a mão aos pobres, a encontrá-los, fixá-los nos olhos, abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão. A sua mão estendida para nós é também um convite a sairmos das nossas certezas e comodidades e a reconhecermos o valor que a pobreza encerra em si mesma.

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Felicidade

Aleovaldo de Oliveira- Morador de Linha Cincos

Mantenha acesso seu ideal de felicidade. Trabalhe visando o bem ao próximo e o bem para a humanidade. Mas não tenha a preocupação, apenas de acumular riquezas e tesouros, que os vermes destroem e a ferrugem consome.
Acumule riquezas duradoras, construídas dos benefícios que presta aos seus irmãos, porque amanhã você receberá de todos a alegria da vitória, auxiliada por você.
A alegria do bem que se realiza é o maior tesouro que podemos obter. Só assim estamos realizados e felizes, com o bem que realizamos ao próximo.

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Maria, mãe e modelo de discípula

Dom Aloísio Alberto Dilli – Bispo de Santa Cruz do Sul

Caros diocesanos. O Concílio Ecumênico Vaticano II considera Maria Santíssima como modelo de ser Igreja, Povo de Deus. Ela, a partir da fé e da obediência, consagrou-se totalmente como serva do Senhor, sempre disposta a fazer sua vontade.
Por isso o Concílio quis destacar seus méritos na salvação realizada por seu Filho Jesus Cristo, com estas palavras: “Ela ocupa o lugar mais alto depois de Cristo e o mais perto de nós” (LG 54).
A união (simbiose) entre Mãe e Filho na obra da salvação manifestou-se desde sua concepção até a morte na cruz, onde ela foi dada por Jesus como mãe para todo gênero humano, na pessoa de João (Jo 19, 26-27). Maria fez-se presente também na vinda do prometido Espírito Santo, em Pentecostes (At 1, 14), no alvorecer da Igreja.
Afirma ainda o Concílio Vaticano II: “Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminou o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste” (LG 59).
Sua assunção não foi separação, pois Maria está sempre relacionada com a Igreja. Ela é o modelo de Igreja, exemplo de virtudes, sobretudo de união com Cristo. Como membro do Corpo Igreja, por sua constante intercessão, continua a cuidar dos irmãos de seu Filho, que ainda peregrinam sobre a terra, qual medianeira ou advogada, mesmo sendo Cristo nosso único mediador (LG 62-63). Por isso ela é honrada com culto especial pela Igreja, mas este sempre deve conduzir a Cristo: “Origem de toda verdade, santidade e piedade” (LG 67).
Na sua admoestação final, ao falar do culto a Maria, o documento conciliar afirma: “Saibam os fiéis que a verdadeira devoção não consiste num estéril e transitório afeto, nem numa certa vã credulidade, mas procede da fé verdadeira pela qual somos levados a reconhecer a excelência da Mãe de Deus, impulsionados a um amor filial para com nossa Mãe e à imitação das suas virtudes” (LG 67).
Ao venerarmos a Virgem Maria, como Mãe de Deus, ela não se distancia de nós, antes, torna-se também nossa Mãe. Ela concebeu o Verbo da Vida no coração e no corpo. Já diziam os Santos Padres: “Prius in mente quam ventre Maria concepit” (Maria concebeu antes na mente do que no ventre), pois antes de conceber o Verbo ela já o havia concebido em sua fé, seu coração, sua vida.
Citando S. Ambrósio, Bento XVI afirma que, pela fé, Cristo vem habitar também em nossa vida: “Cada cristão que crê, em certo sentido, concebe e gera em si mesmo o Verbo de Deus: se há uma só Mãe de Cristo segundo a carne, segundo a fé, porém, Cristo é fruto de todos” (VD 28).
Além disso, destacando o discipulado fiel de Maria, lemos nos Sermões de S. Agostinho: “Santa Maria fez totalmente a vontade do Pai e por isto mais valeu para ela ser discípula de Cristo do que mãe de Cristo; maior felicidade gozou em ser discípula do que mãe de Cristo. Assim Maria era feliz porque, já antes de dar à luz o Mestre, trazia-o na mente” (Sermo 25,7 in LH, vol. IV, p. 1466).
Maria nos conquiste e ensine como acolher, seguir e anunciar Jesus Cristo em nossa vida e em nosso tempo. Que a celebração dos 300 anos de Aparecida, os 100 de Fátima e outras datas jubilares nos façam ir além de simples busca devocional e passageira, mas nos conduzam a Jesus Cristo e nos façam verdadeiros discípulos seus, como Maria o foi.

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Banda santa-cruzense Avalanche Hard Rock lançou seu novo clipe “Simplesmente pode ser você”

A banda santa-cruzense Avalanche Hard Rock recentemente seu novo clipe “Simplesmente pode ser você”. O single da banda formada por Douglas ‘Top Gun’ Martins (vocal), Iven Franco (guitarra), Jorge Assmann (baixo) e Diego Werner (bateria).

Teve a letra da canção originalmente composta por Kako Rachewsky, Jaque Betat e Lilico Soares. “Eles nunca chegaram a gravar ou lançar o som, o Kako eu já conheço a muitos anos, ele é guitarrista do banda Os Garbonas. Um dia trocando uma ideia com ele, ele me comentou então a respeito desta letra”, conta Douglas Martins. Com a Avalanche, ‘Simplesmente pode ser você’ ganhou a cara da banda com distorção e solos de guitarra que lembra as influências pesadas do quarteto. Mais tarde, a faixa finalizada foi gravada no Estúdio Fruto Sonoro, de Frédéric Helfer.

O clipe foi produzido e dirigido por Bruno Cabral Gassen e Danilo Holderbaun, para uma disciplina do Curso de Produção em Mídia Audiovisual da Unisc. O roteiro de Douglas teve influência de filmes trash e lado B. Além de cenas que mostram encontros amorosos de vários tipos, a banda aparece um desmanche de carros. Todos os atores que participaram das gravações são da região.

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Amor tri… tricolor e tricampeão

Letícia Geller – Estudante

Até a pé nós iremos, para o que der e vier (…). E aqui estamos novamente, comemorando mais uma vitória deste nosso amor avassalador.Até a pé nós iremos, para o que der e vier (…). E aqui estamos novamente, comemorando mais uma vitória deste nosso amor avassalador.50 anos de glória tens imortal tricolor. Faço parte desta história de gerações em gerações. Entre perdas e vitórias, meu amor nunca mudou.Comemoro ao te ver ganhar, me emociono ao te ver lutar. Coração sai pela boca a cada lance e cada início de partida, mas a tranquilidade emocional retoma ao te sentir batalhar. Mais do que títulos e sensações tu me traz a paz e a alegria, um amor que não se explica, um amor que se compartilha.  Paixão que vem de gerações, permanecerá para sempre na família. Perdas e decepções até podem vir, lágrimas sempre vão surgir, mas o amor e o orgulho sempre será maior, e me fará gritar por ti. Oh meu campeão, meu time do coração, não te abandonarei jamais, ao teu lado, até a pé irei, sempre lutando por mais.Mais vitórias!Mais emoções!Mais lutas!Mais amor!Mais gerações!

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Crisma e opção vocacional

Dom Aloísio Alberto Dilli – Bispo de Santa Cruz do Sul

Caros diocesanos. No segundo semestre do ano, temos a alegria de celebrar o sacramento da crisma ou confirmação, em muitas comunidades. Por este sacramento, nossos jovens ou adultos recebem os dons do Espírito Santo em sua vida, assim como os apóstolos e a Virgem Maria, em Jerusalém, no dia de Pentecostes. Desta forma, eles estão renovando, por responsabilidade própria, o que os pais e padrinhos prometeram, em seu nome, no dia do Batismo.
E mais. Eles, com a força do Espírito Santo, recebem a graça de se tornarem discípulos missionários de Jesus Cristo, participando mais plenamente na vida da comunidade cristã. Parabenizamos todos os que chegam ao ponto alto da Iniciação à Vida Cristã e recebem este importante sacramento em sua vida; contamos com sua presença ativa e permanente nas comunidades, agora, como adultos na fé.
Infelizmente, com muitos jovens ou adultos, depois de serem crismados, acontece um afastamento de Jesus Cristo e sua Igreja. É uma verdadeira contradição, pois ao receberem os dons do Espírito Santo, estão em condições de serem cristãos mais coerentes e participativos na vida da Comunidade. Portanto, talvez não deveriam ter recebido o sacramento da crisma, pois não entenderam o seu verdadeiro sentido e, consequentemente, deixaram de vivê-lo, tornando-se, muitas vezes, contratestemunhas.
Nossa alegria é saber que muitos dos jovens e das jovens, com a recepção deste sacramento, ponto alto da Iniciação à Vida Cristã, de fato sentem-se confirmados em sua vida cristã e querem assumir maiores responsabilidades na Igreja em pastorais e nos diversos serviços da comunidade. Este é também um dos momentos mais adequados para se pensar na decisão vocacional. O jovem se pergunta em que forma de vida vai servir na sua Igreja. Por que um jovem ou uma jovem não pode pensar no sacerdócio ou na vida consagrada? Este é um assunto de vital importância. Em nossa diocese, por exemplo, temos falta de presbíteros em paróquias, em setores de pastoral, nas frentes missionárias, etc.. A metade dos nossos padres são relativamente idosos (de 65 anos ou mais). Em breve teremos dificuldades de atendimento sacerdotal a muitas comunidades. Todos sentimos necessidade de mais Padres e Irmãos/ãs e os pedidos se repetem, solicitando a sua presença e atuação em nosso meio, nos mais diversos campos de pastoral.
Acreditamos que Deus está chamando mais jovens para esta forma de vida. Por isso, teremos que assumir, em conjunto, uma espécie de “mutirão vocacional” pela oração permanente; pelo cultivo dos ambientes onde nascem as vocações (família, escola, comunidade…); pelo incentivo aos jovens vocacionados para que sejam abertos ao convite de Deus; pela consciência das famílias para que reconheçam a bênção e apoiem os filhos/filhas chamados/as; pelo testemunho de vida feliz, alegre, entusiasta e de santidade no serviço do Senhor, por parte dos sacerdotes e pessoas de vida consagrada (DAp 315).
Nossos seminaristas estão animados e esperam por novos colegas. Há também um bom número de jovens que estão sendo acompanhados pelo Animador Vocacional. Estes candidatos continuam seus estudos e trabalhos, mas com encontros periódicos.
Se todos assumirmos a causa vocacional da diocese, Deus não deixará de chamar muitos jovens para trabalhar na sua messe. Deus é fiel. Assumamos a nossa parte.